Acompanhamento terapêutico é a nova estratégia de atendimento em saúde mental: terapeuta vai ao encontro do paciente
Tratamento de pacientes com transtornos mentais graves, só pode ser feito em hospitais psiquiátricos afastados dos centros urbanos. Era como se pensava até pouco tempo. Mas as coisas estão mudando também nessa área. Nova estratégia de intervenção em saúde mental divergente da concepção tradicional de tratamento vem ganhando força: o Acompanhamento Terapêutico. A nova modalidade de atendimento consiste “no deslocamento do terapeuta ao encontro do paciente e não o contrário, que comumente ocorre”, explica a psicóloga Andréa Cembranelli, do Grupo Ana Rosa e membro do Passos & Traços – grupo de Acompanhamento Terapêutico. Segundo Andrea, esse novo conceito de assistência permite que o atendimento possa ocorrer na “rua, no parque ou em qualquer outro lugar em que o indivíduo acompanhado esteja”.
O Acompanhamento Terapêutico está inserido, dentro do contexto histórico da Reforma Psiquiátrica que propõe a substituição do tratamento em hospital psiquiátrico por equipamentos de saúde mental próximos da residência do paciente: os chamados centros (ou núcleos) de atenção psicossocial. Segundo Daniela Higa, psicóloga e também acompanhante terapêutica do Passos & Traços, “o movimento reformista tem como pilares a escuta do sofrimento do indivíduo, a importância de olhá-lo além de seus sintomas e a ênfase no fortalecimento da relação dele com a comunidade à sua volta, o que acaba também norteando o trabalho do acompanhante terapêutico”.
Indicado para pessoas com dificuldade de circulação na sociedade ou com rigidez em seus papéis sociais, o Acompanhamento Terapêutico tem como objetivo ajudar o paciente a construir relações mais flexíveis consigo mesmo e com o ambiente ao seu redor.
03/08/2009