Com 3 milhões de casos de obesidade mórbida, País só é superado por Estados Brasil é o 2º em obesos e cirurgias
O Brasil é o segundo no mundo em obesidade. O dado é da OMS (Organização Mundial da Saúde). Além disso, o País também já é o segundo em número de cirurgias para controle da doença, de acordo com a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica). Os Estados Unidos lideram os dois rankings.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que 40% dos adultos estão acima do peso ideal. Estimativas da OMS revelam que 27 milhões de brasileiros têm excesso de peso. Destes, 6,8 milhões são tidos como obesos.
Uma pesquisa de 2008 da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) constatou que 15,6% de 260 alunos (entre 10 e 19 anos) de uma escola pública estavam acima do peso ideal e 11,7% eram obesos. Nos EUA, 17% dos adolescentes estão nesta situação.
"Cerca de 3 milhões são obesos mórbidos no Brasil", disse o cirurgião Ronaldo Barbosa Oliveira, de uma clínica em Santo André. "Para passar por cirurgia é preciso que o paciente tenha IMC (Índice de Massa Corpórea) igual ou maior a 35, histórico de dietas, além de problemas cardíacos, diabetes, câncer e apneia do sono". É preciso ainda uma avaliação das condições físicas e psicológicas para operação. O cirurgião lembra que a obesidade é fruto do descontrole alimentar e da falta de atividades físicas.
TÉCNICAS CIRÚRGICAS - Existem várias técnicas de cirurgias para redução de estômago. O CFM (Conselho Federal de Medicina) reconhece as restritivas (limitam a ingestão de alimento sólido, dando sensação de saciedade) com o balão intragástrico (anel no estômago por até seis meses), ou as disabsortivas (encurtam o caminho dos alimentos, a partir de um desvio, reduzindo a absorção dos nutrientes). A mais consagrada (80% das cirurgias) é a de Fobi-Capella, onde há restrição à ingestão a partir da redução do estômago e também da disabsorção. A cirurgia pode ser convencional (aberta) ou videocirurgia.
Uma nova técnica, a gastrectomia vertical com anel (GVA), que reduz o tamanho do estômago sem alterar a absorção, realizada há cinco anos no mundo e há um no País, foi comparada à Fobi-Capella. O estudo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) constatou que a GVA absorve as vitaminas, o que pode descartar uso de complexos vitamínicos.
"Estamos aprimorando a técnica, por isso ainda não a praticamos", adiantou João Luiz Moreira de Azevedo, cirurgião e professor da Unifesp que coordena pesquisa desenvolvida pelo cirurgião Gustavo Peixoto Miguel, da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo).
Operação implica mudança radical de comportamento
Entre as avaliações obrigatórias do período pré-operatório está a psicológica. Isso porque a cirurgia é apenas o primeiro passo do processo, que resulta numa mudança radical de padrão de comportamento. O indivíduo precisa reduzir drasticamente as porções, comer mais vezes ao dia e nos primeiros dois meses só pode ingerir líquidos e pastosos.
"A compulsão afeta diretamente no peso. Somente o acompanhamento psicológico ajuda a superar as questões internas que levam à compulsividade", avaliou Adélia Maria Panzarin, especialista em compulsão há oito anos. Ela revela, ainda, que é importante uma grande preparação antes da operação. Mas, nem sempre é possível por conta dos convênios. "Estabeleci um mínimo de quatro sessões para poder avaliar o paciente", explicou Panzarin, que lembrou das complicações do pós-operatório, como a transferência dos hábitos compulsivos (para álcool e tóxicos).
"Fiz terapia quase dois anos. Fiquei depressiva, muito discriminada no trabalho pelos colegas, que me chamavam de folgada por causa das minhas limitações físicas", desabafou a bancária Alessandra Matias, 54, aposentada por invalidez.
Quando se submeteu à cirurgia de Fobi-Capella, em 2004, pesava 103 quilos, com 1,67 de altura. Atualmente, com 71 quilos, está curada de uma hérnia de disco, não sente mais as lesões nos joelhos e não precisa mais da terapia: "Hoje tenho uma nova vida".
Técnica usada pelo apresentador Fausto Silva não segue normas
O apresentador Fausto Silva, o Faustão, submeteu-se recentemente a uma técnica de redução de estômago que ainda não está regulamentada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e não é reconhecida pela SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), apesar de existir há cerca de seis anos. "Não há comprovação científica dos resultados já que é feita por um único médico. Não segue as normas do CFM", disse Thomaz Szegö, presidente da SBCBM. Segundo a entidade, o índice de mortalidade nas cirurgias regulamentadas é inferior a 3%.
Desenvolvida pelo cirurgião goiano Áureo Ludovico de Paula, a gastrectomia vertical com interposição de íleo tem como objetivo curar o diabetes tipo 2 (causada pela falta de insulina no organismo), além de causar redução de peso. O que a difere das demais é a inversão da posição do íleo (fim do intestino delgado), que ao entrar em contato com o alimento gera o hormônio que estimula a produção de insulina. Procurado pelo Diário, o médico não retornou às ligações da reportagem.
A produtora Leonor Correa, irmã do apresentador, submeteu-se à Fobi-Capella em fevereiro de 2003, aos 40 anos. "Já perdi 50 quilos e troquei o manequim 60 pelo 42. Me sinto mil vezes melhor", disse a atual produtora do programa da Eliana, do SBT. Ela contou que o apoio da família foi importante no processo e que abriu mão dos doces para ajudar a manter o peso.
25/10/2009